quarta-feira, 2 de agosto de 2017

#1 Entrevista - Com o autor Wallery Giscar Desten

      Eu tenho a honra de dizer pra vocês que hoje vai rolar a primeira entrevista aqui do blog, com o primeiro autor que realizou parceria com a gente. Wallery Giscar Desten é o autor do livro Ajuste de contas e se você ainda não conferiu a resenha pode encontrar ela AQUI.
      Olá, tudo bem? Queria agradecer em nome do blog e dos seguidores o privilégio de conhecer sua obra e agora conhecer mais um pouco sobre quem está por trás dela. Sinta se à vontade para responder as perguntas.

      Fiquei curiosa em saber, a escrita sempre fez parte do seu cotidiano ou a obra surgiu repentinamente? Nos conte quando e como surgiu a ideia de escrever um livro.
 A ideia de ser escritor surgiu por acaso. Aos quinze anos, uma professora pediu-nos um trabalho que consistia em fazer um resumo sobre algum livro da literatura brasileira. Escolhi Senhora, de José de Alencar. Meu trabalho teve nota máxima e ela o elogiou para toda a turma. Aquilo criou um grande efeito em mim. Comecei a ler mais com a intenção de ser escritor, mas como nem tudo é perfeito na vida, aos poucos fui esquecendo aquela empolgação.
      A vida com seus compromissos relegou aquele sonho a segundo plano. E o tempo foi passando. Na verdade, anos se passaram. Terminei o ensino médio e não fui aprovado no vestibular. Passei, então a estudar para concursos públicos. Nesse meio tempo, escrevi apenas poesia e alguns contos toscos. Assim que fui aprovado no primeiro concurso público, fiz vestibular para Letras/Português, pois aquele sonho lá da adolescência voltava a aflorar dizendo-me que eu deveria escrever e o curso correspondia às minhas expectativas. Já havia ganhado alguns concursos literários, mas a literatura ainda não tinha me fisgado de vez. Apesar de ter feito um curso que eu entendia me ajudaria na escrita não me sentia compelido a ter foco na literatura, embora ainda escrevesse. Finalizei o curso de Letras e fui aprovado para outro concurso público. Esqueci a literatura por muitos anos. Formei-me em Direito e em 2015, junho, decidi investir na carreira literária. Desde então leio muito, tanto romances como livros dedicados à escrita criativa, faço cursos voltado para escritores e procuro manter uma rotina de escrita.
      Desde aquele dia, naquela sala de uma escolinha do interior do Maranhão, quando ouvi o elogio daquela professora, uma voz me grita ao ouvido que preciso escrever. Creio que era para ter sido mais consistente na minha preparação para a vida literária. Mas viver no Brasil de literatura é um doce delírio e eu tinha na minha mente que precisava primeiro focar na minha vida profissional para só então me dedicar à literatura.
      Quando finalizei o curso de Direito, comecei a me preparar novamente para estudar para novos concursos (boa parte da minha vida passei debruçado sobre livros para concurso) eu um dia me vi pensando: O que você gostaria de ter feito ao chegar ao fim da vida, Wallery? E de imediato aquela voz veio, dizendo que em não queria passar a vida lendo manuais de direito e pilhas de processo. Se há uma coisa de que gosto é de ler e escrever. Eu quero ser escritor, esse é meu sonho e estou em busca dele. Quero um dia escrever livros que encantem as pessoas, livros que elas leiam e possam tirar alguma lição para a vida, livros que tenham o poder de arrancar-lhes uma lágrima de felicidade. E é isso que estou buscando. Podemos ser qualquer coisa, mas se não formos aquilo que realmente almejamos, não seremos nada.

      É claramente visível que seu livro vem recheado de cultura e modo de vida brasileiros, isso foi proposital? Quero dizer, você quis criar essa representação ou só se baseou no cotidiano nordestino com o qual você parece fazer parte e faz nos sentir nele durante a leitura.
Sim, queria retratar um personagem o mais plausível possível e para isso precisava fazer com que se parecesse o mais próximo possível do real. Para isso li muito a respeito do tema 'pistolagem' para compor o personagem Justino.

      De onde veio a inspiração para dar vida a Justino? Ele é alguém que realmente existe ou existiu?
Justino é obra de meus devaneios adolescentes. Quando jovem, gostava de ouvir histórias de pistoleiros cantadas por violeiros e assistia a muitos filmes sobre o tema. Acho que isso acabou influenciando a composição do personagem.

      Entrando num assunto mais sério, mesmo estando em pleno 2017, ainda presenciamos diversos tipos de preconceito, não é mesmo ?!  É comum vermos ofensas ao povo nordestino em época de eleições nacionais, o que você pode nos falar sobre isso? Você acha que seu livro pode ser usado para ‘quebrar’ esse tabu na cabeça das pessoas? Pois é raro encontrarmos hoje em dia escritores nacionais que falam sobre o próprio país de maneira tão real.
Preconceito é questão de falta de cultura e respeito ao próximo. Antes de falarmos do nordestino ou de qualquer outro devemos lembrar que todos fazemos parte do mesmo povo. Somos, antes de qualquer estereótipo, brasileiros e se alguém tem preconceito é preciso rever os conceitos.
      Quanto ao livro, não sei dizer se ele servirá para quebrar algum preconceito. Cada livro tem suas lições. Que cada leitor absorva aquilo que melhor o livro tenha.
      E por último, como sou escritor nacional não me vejo escrevendo sobre outra cultura. Minha obra é eminentemente nacional, porque sou nacional e sinto necessidade de valorizar o que é nosso.

      E voltando para notícias boas, você pretende lançar mais livros? Nos conte o
que podemos esperar.
Estou finalizando um livro, esse é um romance, mas ainda é cedo para falarmos nele. Vou deixar um pouco de lado o tema sobre pistoleiros e navegar por outros gêneros. Em breve teremos novidades.
      Agradeço ao espaço pela oportunidade e desejo sucesso ao blog.
Essa foi a nossa entrevista, espero que tenham gostado, lembrando que você pode comprar o seu Ajuste de contas, na Saraiva.

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